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Mudanças - Psicologia da Saúde - Vol. 13 - 1       
               
 
 

Ficha Técnica
ISSN 0104-3269
Livro em português
BROCHURA
1 Edição 2005
269 pág. 14 x 21 cm
R$ 20,00

Indisponível

sumário

     
 

Apresentação


Mesmo as páginas removidas, de certa forma, permanecem


José Tolentino Rosa

Na apresentação do último fascículo, faltou contar-lhes um importante pedaço da história da publicação do artigo do dr. Nahman Armony, que foi proposta por alunas de Psicologia que estavam estudando novidades do pensamento psicanalítico sobre transtornos de personalidade borderline em adolescentes, sob a perspectiva de Winnicott. Obtiveram o artigo no site http://www.saúde.inf.br e recomendaram a publicação, que foi acolhida pela Comissão Editorial.
Entramos em contato com o dr. Nahman, que gentilmente nos autorizou a publicar o artigo neste periódico. Trata-se de um novo enfoque sobre o transtorno borderline, principalmente quando propõe um continuum, com borderline brando até os quadros mais graves.

O professor Ryad Simon expõe de forma clara seu novo enfoque para analisar a eficácia da adaptação e a classificação da adequação. O autor parte da concepção da EDAO e da teoria da adaptação, para uma compreensão do diagnóstico adaptativo, com a formulação de prognóstico melhor fundamentado, e também apresenta um modelo para pesquisa controlada e operacionalizada em psicologia clínica.Embora ambiente e constituição sejam grandezas de universos diferentes, a análise e a contraposição de diferentes dimensões geométricas
lhe possibilitaram novas associações entre os fatores constitucionais e ambientais. São artifícios para pensar fatos extremamente complexos e entender as inerentes perplexidades, pois, embora entre a matéria orgânica e inorgânica haja um abismo, em condições especiais podem ser combinadas para curar doenças e promover saúde. Concluiu, que foi útil o estabelecimento de associações entre a geometria e a teoria da adaptação, as quais impulsionam e contribuem para a pesquisa científica em psicologia psicanalítica.

Sob a orientação da dra. Ceres Alves de Araújo, da PUC de São Paulo, Maria Teresa Nappi Moreno publica um artigo derivado de sua tese de doutoramento. As autoras relatam uma pesquisa, na qual os objetivos foram avaliar como a raiva se relaciona à gastrite e à esofagite, e compreender a raiva quanto à experiência, à expressão, ao estado crônico, ao gênero e à idade. Foram avaliados 41 homens e 68 mulheres, distribuídos em quatro faixas etárias, entre 20 e 60 anos. Os dados foram obtidos do Inventário de Expressão de Raiva como Estado e Traço (STAXI), da entrevista psicológica e do prontuário. Os sujeitos vivenciavam sentimentos de raiva, reprimida e direcionada para dentro; mostravam alto grau de impulsividade e sensibilidade a críticas. Homens apresentaram traços de raiva de maior intensidade do que mulheres. Houve alta freqüência de raiva de 20 a 29 anos e de 40 a 49 anos. O controle da raiva foi maior entre 50 e 60 anos e menor entre 20 e 30 anos. Apresentaram índices acima da média em raiva crônica, predominantes nos homens e em sujeitos de 40 a 50 anos. Embora o projeto da pesquisa demonstre as excelentes habilidades das pesquisadoras, podem, também, pela leitura, expressar o sentimento de gratidão para a equipe médica do Hospital Assunção de São Bernardo do Campo por sua disponibilidade e espírito científico, bem como sentimentos de congratulações pelos resultados e pelo excelente padrão médico-científico do Ambulatório de Cirurgia do Aparelho Digestivo do Hospital e Maternidade Assunção. Por questões editoriais, a tese foi bastante reduzida, e nos contentamos, então, com as palavras de Elie Wiesel (1928): “… Escrever é mais como a escultura, onde se remove, se elimina para tornar o trabalho mais visível. Até as páginas removidas de certa forma permanecem…”.

O artigo da doutora Maria Emília, docente do Curso de Psicologia da Universidade de Taubaté, apresenta uma reflexão sobre algumas estruturas psíquicas e suas relações com o poder. As estruturas psíquicas são vistas como tendências diretrizes do funcionamento psíquico, não necessariamente psicopatológicas. Faz-se uma descrição geral das estruturas psíquicas, da relação entre uma propensão neurótica e outra psicótica, ambas predominantes na mente do sujeito e da interação entre dois sujeitos a partir das estruturas psíquicas que neles preponderam. A seguir, determinadas situações de intercâmbio social são relacionadas às estruturas e às relações de poder. Algumas idéias da autora sobre o significado do poder incluem relacioná-lo às
representações do sujeito.

Sob o vértice da saúde coletiva, Valquiria Djehizian, com a orientação da dra. Aracy Spínola, docente da Faculdade de Saúde Pública da USP, investigaram a interferência de crenças, valores
sociais e atitudes em odontologia preventiva para bebês. O objetivo foi identificar crenças e valores de mães de crianças pequenas. Foram entrevistadas 282 mães, seguindo-se um protocolo de pesquisa. As
crianças tinham idade entre 6 a 48 meses; 70% delas entre 6 e 24 meses. A escolaridade das mães era ensino médio completo. Aproximadamente 95% delas tinham amamentado no peito; 67% consideravam o leite materno suficiente nos primeiros 6 meses. Após o desmame, 60% usavam leite Longa Vida; 80% não usavam adoçante, porque a criança aceitava bem o sabor natural; 20% pensavam em prevenir a cárie; 30% adicionavam farináceos ou achocolatados; 70% usavam leite; 95% davam suco de frutas e 70% não adicionavam açúcar. A chupeta tinham sido usada por 70%, como calmante e para interromper o choro; 40% usaram até 18 meses, ocasião em que 70% tinham abandonado. O índice de dentes cariados extraídos e
obturados foi igual a 0,23; a prevalência de cárie igual a 6,03%, concordantes com a literatura.

Uma apreciação psicanalítica do sentimento de amizade é o ensaio escrito por Tereza Elizete Gonçalves, docente do curso de Psicologia da Universidade de Taubaté. O artigo traz uma reflexão sobre o conceito de amizade na teoria psicanalítica, diferenciando as perspectivas teóricas em curso. A autora procura demonstrar a importância de o analista contar com um aparato conceitual apropriado para analisar a necessidade que todo indivíduo tem de relacionar-se no círculo extra-família, tão fundamental ao processo de subjetivação.

Compreender o teor das relações amistosas na economia psíquica dos indivíduos, seja no campo das tendências reparatórias, como artefato cultural que contribui para o processo civilizatório, ou
ainda como propiciadora da potência e expansão do self, e a perspectiva de conquistar e manter vínculos amistosos substanciais transformam as relações com a natureza humana, que é nosso inestimável patrimônio. A empatia, consideração e mutualidade são ingredientes desses vínculos, que, muitas vezes, ganham faceta patológica quando se tornam tensos e precários.

As conseqüências psicossociais da cirurgia de redução de estômago foram tratadas no trabalho de conclusão do Curso de Psicologia da Universidade São Marcos por Alcione Cristiane Durigan
Marchiolli e Priscila Toscano de Oliveira Marchiolli, orientadas pela doutora Laura Belluzzo de Campos Silva. Esse estudo teve como objetivo verificar as conseqüências psíquicas do pós-operatório da cirurgia de redução de estômago em quatro mulheres operadas há um ano. Os sujeitos fizeram uma entrevista semi-estruturada, na qual foram obtidos dados sobre a vivência em relação à gordura, ao comer excessivo e à escolha pela cirurgia. Os resultados indicam que o aumento da procura por esse tipo de cirurgia parece ser decorrente da substituição de seu caráter cirúrgico por algo estético, em que o sujeito retira, além da obesidade, questões intrapsíquicas provenientes de outra ordem, de modo ilusório. Isso resulta em fantasia e não permite a discussão das questões psicossociais envolvidas na obesidade mórbida e na cirurgia.

Na seção de Informes, uma análise da XII Conferência da Sociedade Internacional para o Estudo do Tempo é feita pela dra. Therezinha Moreira Leite, professora titular do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da USP.

As resenhas incluem a obra Micropsychoanalysis, desenvolvida na Itália, pelo psicanalista Silvio Fanti e resenhada pela psicoterapeuta Suely Mizumoto; o livro Metodologia de estudos em ciências da saúde: como planejar, analisar e apresentar um trabalho científico é apresentado pela dra. Marília Martins Vizzotto, responsável por essa disciplina na pós-graduação em Psicologia da Saúde, e sua orientanda, Renata Cressoni Gomes.

Sumário

Correlação psicanalítico-adaptativa utilizando modelo de geometria
Ryad Simon

Emoções de raiva associadas à gastrite e esofagite
Maria Teresa Nappi Moreno & Ceres Alves de Araújo

Estruturas psíquicas e o poder
Maria Emília Sousa Almeida

Saúde pública: a interferência de crenças, valores sociais e atitudes em odontologia preventiva para bebês
Valquiria de Souza Djehizian & Aracy Witt de Pinho Spínola

Do homem cordeiro para outro homem: apreciação psicanalítica do sentimento de amizade
Tereza Elizete Gonçalves

As conseqüências psicossociais da cirurgia de redução de estômago
Alcione C. Durigan Marchiolli , Priscila T. de Oliveira Marchiolli & Laura Belluzzo de Campos Silva


Informação

Memória e tempo – XII Conferência da International Society for the Study of Time
Therezinha Moreira Leite


Resenhas de livros

Uma nova técnica para a psicanálise: a micropsicanálise de Silvio Fanti
Suely Mizumoto

A metodologia em ciências da saúde, de Nagib Haddad
Marília Martins Vizzotto & Renata Cressoni-Gomes

Dicionário da linguagem e do pensamento de Bion, de Paulo C. Sandle
José Tolentino Rosa


Notas aos colaboradores