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Apresentação
Mesmo as páginas removidas, de certa forma, permanecem
José Tolentino Rosa
Na apresentação do último fascículo, faltou
contar-lhes um importante pedaço da história da publicação
do artigo do dr. Nahman Armony, que foi proposta por alunas de Psicologia
que estavam estudando novidades do pensamento psicanalítico sobre
transtornos de personalidade borderline em adolescentes, sob a perspectiva
de Winnicott. Obtiveram o artigo no site http://www.saúde.inf.br
e recomendaram a publicação, que foi acolhida pela Comissão
Editorial.
Entramos em contato com o dr. Nahman, que gentilmente nos autorizou a
publicar o artigo neste periódico. Trata-se de um novo enfoque
sobre o transtorno borderline, principalmente quando propõe um
continuum, com borderline brando até os quadros mais graves.
O professor Ryad Simon expõe de forma clara seu novo enfoque para
analisar a eficácia da adaptação e a classificação
da adequação. O autor parte da concepção da
EDAO e da teoria da adaptação, para uma compreensão
do diagnóstico adaptativo, com a formulação de prognóstico
melhor fundamentado, e também apresenta um modelo para pesquisa
controlada e operacionalizada em psicologia clínica.Embora ambiente
e constituição sejam grandezas de universos diferentes,
a análise e a contraposição de diferentes dimensões
geométricas
lhe possibilitaram novas associações entre os fatores constitucionais
e ambientais. São artifícios para pensar fatos extremamente
complexos e entender as inerentes perplexidades, pois, embora entre a
matéria orgânica e inorgânica haja um abismo, em condições
especiais podem ser combinadas para curar doenças e promover saúde.
Concluiu, que foi útil o estabelecimento de associações
entre a geometria e a teoria da adaptação, as quais impulsionam
e contribuem para a pesquisa científica em psicologia psicanalítica.
Sob a orientação da dra. Ceres Alves de Araújo, da
PUC de São Paulo, Maria Teresa Nappi Moreno publica um artigo derivado
de sua tese de doutoramento. As autoras relatam uma pesquisa, na qual
os objetivos foram avaliar como a raiva se relaciona à gastrite
e à esofagite, e compreender a raiva quanto à experiência,
à expressão, ao estado crônico, ao gênero e
à idade. Foram avaliados 41 homens e 68 mulheres, distribuídos
em quatro faixas etárias, entre 20 e 60 anos. Os dados foram obtidos
do Inventário de Expressão de Raiva como Estado e Traço
(STAXI), da entrevista psicológica e do prontuário. Os sujeitos
vivenciavam sentimentos de raiva, reprimida e direcionada para dentro;
mostravam alto grau de impulsividade e sensibilidade a críticas.
Homens apresentaram traços de raiva de maior intensidade do que
mulheres. Houve alta freqüência de raiva de 20 a 29 anos e
de 40 a 49 anos. O controle da raiva foi maior entre 50 e 60 anos e menor
entre 20 e 30 anos. Apresentaram índices acima da média
em raiva crônica, predominantes nos homens e em sujeitos de 40 a
50 anos. Embora o projeto da pesquisa demonstre as excelentes habilidades
das pesquisadoras, podem, também, pela leitura, expressar o sentimento
de gratidão para a equipe médica do Hospital Assunção
de São Bernardo do Campo por sua disponibilidade e espírito
científico, bem como sentimentos de congratulações
pelos resultados e pelo excelente padrão médico-científico
do Ambulatório de Cirurgia do Aparelho Digestivo do Hospital e
Maternidade Assunção. Por questões editoriais, a
tese foi bastante reduzida, e nos contentamos, então, com as palavras
de Elie Wiesel (1928):
Escrever é mais como a escultura,
onde se remove, se elimina para tornar o trabalho mais visível.
Até as páginas removidas de certa forma permanecem
.
O artigo da doutora Maria Emília, docente do Curso de Psicologia
da Universidade de Taubaté, apresenta uma reflexão sobre
algumas estruturas psíquicas e suas relações com
o poder. As estruturas psíquicas são vistas como tendências
diretrizes do funcionamento psíquico, não necessariamente
psicopatológicas. Faz-se uma descrição geral das
estruturas psíquicas, da relação entre uma propensão
neurótica e outra psicótica, ambas predominantes na mente
do sujeito e da interação entre dois sujeitos a partir das
estruturas psíquicas que neles preponderam. A seguir, determinadas
situações de intercâmbio social são relacionadas
às estruturas e às relações de poder. Algumas
idéias da autora sobre o significado do poder incluem relacioná-lo
às
representações do sujeito.
Sob o vértice da saúde coletiva, Valquiria Djehizian, com
a orientação da dra. Aracy Spínola, docente da Faculdade
de Saúde Pública da USP, investigaram a interferência
de crenças, valores
sociais e atitudes em odontologia preventiva para bebês. O objetivo
foi identificar crenças e valores de mães de crianças
pequenas. Foram entrevistadas 282 mães, seguindo-se um protocolo
de pesquisa. As crianças
tinham idade entre 6 a 48 meses; 70% delas entre 6 e 24 meses. A escolaridade
das mães era ensino médio completo. Aproximadamente 95%
delas tinham amamentado no peito; 67% consideravam o leite materno suficiente
nos primeiros 6 meses. Após o desmame, 60% usavam leite Longa Vida;
80% não usavam adoçante, porque a criança aceitava
bem o sabor natural; 20% pensavam em prevenir a cárie; 30% adicionavam
farináceos ou achocolatados; 70% usavam leite; 95% davam suco de
frutas e 70% não adicionavam açúcar. A chupeta tinham
sido usada por 70%, como calmante e para interromper o choro; 40% usaram
até 18 meses, ocasião em que 70% tinham abandonado. O índice
de dentes cariados extraídos e
obturados foi igual a 0,23; a prevalência de cárie igual
a 6,03%, concordantes com a literatura.
Uma apreciação psicanalítica do sentimento de amizade
é o ensaio escrito por Tereza Elizete Gonçalves, docente
do curso de Psicologia da Universidade de Taubaté. O artigo traz
uma reflexão sobre o conceito de amizade na teoria psicanalítica,
diferenciando as perspectivas teóricas em curso. A autora procura
demonstrar a importância de o analista contar com um aparato conceitual
apropriado para analisar a necessidade que todo indivíduo tem de
relacionar-se no círculo extra-família, tão fundamental
ao processo de subjetivação.
Compreender o teor das relações amistosas na economia psíquica
dos indivíduos, seja no campo das tendências reparatórias,
como artefato cultural que contribui para o processo civilizatório,
ou
ainda como propiciadora da potência e expansão do self, e
a perspectiva de conquistar e manter vínculos amistosos substanciais
transformam as relações com a natureza humana, que é
nosso inestimável patrimônio. A empatia, consideração
e mutualidade são ingredientes desses vínculos, que, muitas
vezes, ganham faceta patológica quando se tornam tensos e precários.
As conseqüências psicossociais da cirurgia de redução
de estômago foram tratadas no trabalho de conclusão do Curso
de Psicologia da Universidade São Marcos por Alcione Cristiane
Durigan
Marchiolli e Priscila Toscano de Oliveira Marchiolli, orientadas pela
doutora Laura Belluzzo de Campos Silva. Esse estudo teve como objetivo
verificar as conseqüências psíquicas do pós-operatório
da cirurgia de redução de estômago em quatro mulheres
operadas há um ano. Os sujeitos fizeram uma entrevista semi-estruturada,
na qual foram obtidos dados sobre a vivência em relação
à gordura, ao comer excessivo e à escolha pela cirurgia.
Os resultados indicam que o aumento da procura por esse tipo de cirurgia
parece ser decorrente da substituição de seu caráter
cirúrgico por algo estético, em que o sujeito retira, além
da obesidade, questões intrapsíquicas provenientes de outra
ordem, de modo ilusório. Isso resulta em fantasia e não
permite a discussão das questões psicossociais envolvidas
na obesidade mórbida e na cirurgia.
Na seção de Informes, uma análise da XII Conferência
da Sociedade Internacional para o Estudo do Tempo é feita pela
dra. Therezinha Moreira Leite, professora titular do Departamento de Psicologia
Clínica do Instituto de Psicologia da USP.
As resenhas incluem a obra Micropsychoanalysis, desenvolvida na Itália,
pelo psicanalista Silvio Fanti e resenhada pela psicoterapeuta Suely Mizumoto;
o livro Metodologia de estudos em ciências da saúde: como
planejar, analisar e apresentar um trabalho científico é
apresentado pela dra. Marília Martins Vizzotto, responsável
por essa disciplina na pós-graduação em Psicologia
da Saúde, e sua orientanda, Renata Cressoni Gomes.
Sumário
Correlação
psicanalítico-adaptativa utilizando modelo de geometria
Ryad Simon
Emoções de raiva associadas à gastrite e esofagite
Maria Teresa Nappi Moreno & Ceres Alves de Araújo
Estruturas psíquicas e o poder
Maria Emília Sousa Almeida
Saúde pública: a interferência de crenças,
valores sociais e atitudes em odontologia preventiva para bebês
Valquiria de Souza Djehizian & Aracy Witt de Pinho Spínola
Do homem cordeiro para outro homem: apreciação psicanalítica
do sentimento de amizade
Tereza Elizete Gonçalves
As conseqüências psicossociais da cirurgia de redução
de estômago
Alcione C. Durigan Marchiolli , Priscila T. de Oliveira Marchiolli &
Laura Belluzzo de Campos Silva
Informação
Memória e tempo XII Conferência da International
Society for the Study of Time
Therezinha Moreira Leite
Resenhas de livros
Uma nova técnica para a psicanálise: a micropsicanálise
de Silvio Fanti
Suely Mizumoto
A metodologia em ciências da saúde, de Nagib Haddad
Marília Martins Vizzotto & Renata Cressoni-Gomes
Dicionário da linguagem e do pensamento de Bion, de Paulo C.
Sandle
José Tolentino Rosa
Notas aos colaboradores
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