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| Mudanças - Psicologia da Saúde - Vol. 12 - 2 | |||||||||
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Ficha
Técnica |
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Apresentação Um dilema do editor em ciência tem sido a dificuldade de recusar bons trabalhos, do ponto de vista científico, apenas porque não mostram afinidade direta com a missão do periódico, que se propõe a divulgar pesquisas, ensaios teóricos e revisão de literatura na área de Psicologia da Saúde. Sob essa denominação, são aceitos trabalhos cujos objetivos estão voltados para a qualidade de vida, cuidados paliativos e o papel do psicólogo clínico na área da saúde, com interesse em psicossomática, psicanálise, psicologia médica, psicologia clínica preventiva e neurociência. Os artigos selecionados para compor este fascículo tratam de diversos temas em psicologia da saúde, desde as filigranas da interpretação e do processo de mudança psíquica e equilíbrio psíquico, no artigo de M. Célia Crepschi Coimbra, até o enfoque psicossocial contemplado nos artigos de Dimenstein, Vasconcelos e Leitão, intitulado Stress infanto-juvenil e vivência de rua. O artigo de Coimbra mostra toda a densidade emocional da narrativa e os meandros conceituais de Antonino Ferro, psicanalista italiano que fez análise com analistas da Escola de Berlim e foi influeciado por H. Rosenfeld (borderline), Meltzer (dread world), Breman (crueldade e estreitamento mental) e Esther Bick (observação de bebês e análise de crianças). Em se tratando do processo psicanalítico, a terapeuta e o paciente representam dois personagens à procura de autor, que se confunde com a terapeuta. O paciente se confunde com o personagem. A defusão é dolorosa por que desfaz o estado fusional e implica na separação do eu-tu (M. Buber). Do ponto de vista psicopatológico, trata-se de um caso de personalidade múltipla, um pouco mais integrada do que o personagem representado por Marcelo Mastroiani no filme dirigido pelo chileno A. Ruiz, intitulado Trois vie et une seule mort. O paciente de Maria Célia vive uma transformação provocada pela integração das várias personalidades em uma só, vivenciando assim a mesmidade, o sentimento de ser ele mesmo. Entretanto, os atributos da terapeuta para oferecer a continência (capacidade negativa, intuição, capacidade de reverie, função alfa) são produtos de sua formação acadêmica em um curso de especialização em psicoterapia psicanalítica? Ou se trata de uma característica da personalidade da terapeuta, que pode assim demonstrar que o insight nem o conhecimento psicanalítico são tão curativos na psicoterapia psicanalítica quanto foi a experiência emocional transformadora vivida na relação com o paciente. Pareceu-me que um dos elementos responsáveis pelo efeito terapêutico da escuta das narrações do paciente foi a aceitação do papel de uma avó liberal, podendo desta forma possibilitar as transformações via interpretações não saturadas da narrativa, criando um espaço virtual para a construção de objetos internos e de novas relações entre eles, bem como para a recuperação de partes perdidas destes objetos. Usando a simbologia de Antonino Ferro, o paciente não poderia parar em casa. A terapeuta o atende e ele vai ficar em casa. Quais cômodos da casa são mais confortáveis para o paciente nos momentos de análise por onde a dupla transitou? Será que não foi construída uma nova percepção do quarto onde nasceu, onde dormiu com a irmã, a sala, o banheiro (a intimidade). Da sala (violão) a dupla vai para o pé do fogão? Ele pode ficar? Que ameaças foram amenizadas no mundo interno do paciente? O início da língua portuguesa começa com as poesias rudimentares dos trovadores e Júlio Diniz foi o criador das primeiras cantigas de amigo, que marcam os primeiros escritos da língua portuguesa escrita. O paciente se anuncia como um trovador, alguém que vai criar jingles para se comunicar melhor com o mundo e, através dos contos e do violão, segundo sua analista, recupera o sentimento de identidade resultante de um processo menos fragmentado de interrelações contínuas. Este aprisionamento da analista dentro de um roteiro pré-estabelecido, como se estivesse encenando uma peça ou uma cena de filme, funciona durante muito tempo como enactement e como uma comunicação silenciosa, a qual aos poucos é desvendada pela analista, que consegue desmontar essa organização patológica e escapar dessa prisão em que foi colocada para que o analisando ganhasse confiança de expressar sua intimidade. Na obra In pursuit of psychic change, de Edith Hargreaves Arturo Varchevker, no capítulo intitulado Complacência em análise e vida cotidiana, Ronald Briton discute as formas de identificação projetiva e enactement, e o tratamento delas por Betty Joseph: (1) considerar a transferência como situação total, como o aspecto mais informativo da análise, e (2) avaliar a relação entre equilíbrio psíquico e mudança psíquica. A autora Maria Célia Crepschi Coimbra, em que pesem todos os meandros da narrativa de seu paciente, sempre se manteve fiel às regras fundamentais da psicoterapia psicanalítica: a interpretação da transferência como situação total e a busca da mudança psíquica. Granato e Aiello Vaisberg também tratam da recente inovação metodológica trazida pela análise do discurso e a valorização da narrativa por trazer à tona o clima emocional vivido pelos personagens e pelo narrador. Apoiando-se nas contribuições epistemológicas de Politzer e nas idéias de Walter Benjamin sobre a narrativa, propõem pensar a geração de material de estudo como narrativas psicanalíticas que incluem tanto as manifestações dos pacientes como a pessoalidade do analista. Deste modo, o campo investigativo inicial se insere no contexto maior de trocas com outros clínicos pesquisadores que configuram um coletivo interlocutor. Romero_Rodriguez, ao estudar a dinâmica psicológica de mães grávidas adolescentes e de jovens mulheres com vida sexual ativa, concluiu que os conflitos da adolescência se sobrepõem aos da gravidez, cuja representação social se desenvolverá em outro momento. Nahman Armony escreve um ensaio sobre a personalidade borderline leve, trazendo inovações na abordagem de adolescentes com transtorno de personalidade, especialmente segundo a teoria de Donald Winnicott. Hara e Priszkulnik apresentam uma reflexão sobre a obesidade infantil, chegando a conclusão de que para compreender, tratar e prevenir a obesidade, é preciso considerá-la como uma conseqüência de múltiplas causas. Um grupo de pesquisadores do Hospital das Clínicas de São Paulo, liderados em psicologia por Ana Gavião apresentam reflexões sobre o tratamento de pacientes com Ejaculação Precoce, em tratamento na Clínica de Urologia. Usou o Procedimento de Desenhos-Estórias para investigar experiências emocionais e relacioná-las com diferentes condições médicas. Os aprisionamentos representacionais são próprios à ejaculação precoce, expressão compreendida como manifestação de um sujeito coletivo, pois idealizações, angústias e inibições na esfera sexual e na própria identidade curiosamente se repetem no material clínico. O estudo conclui que há consistência no diagnóstico psicológico para auxílio específico de pacientes através de intervenções terapêuticas focais no contexto hospitalar.
José
Tolentino Rosa Apresentação Stress infanto-juvenil
e vivência de rua Tecendo a pesquisa
clínica em narrativas psicanalíticas Relações
objetais e equilíbrio psíquico em adolescentes gestantes
e sexualmente ativas Contamo-nos histórias
para nos dizer verdades Borderline e espaço
potencial winnicottiano Obesidade na criança:
algumas considerações Escuta psicanalítica
no setting hospitalar: o procedimento de desenhos-estórias como
intermediador NOTICIÁRIO: Traumas
foi o tema de dois congressos de psicopatologia fundamental RESENHAS DE LIVROS |
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