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| Mandrágora - Nº 12 | ||||||||
| Ficha
Técnica ISSN 1517-0241 Livro em português BROCHURA Ano XII, 2006 150 pág. 21 x 28 cm R$ 15,00 |
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Apresentação Este número de Mandrágora apresenta novidades, algumas das quais já foram mencionadas por Fernanda Lemos no editorial. Além disso, ele apresenta uma nova estruturação para os textos, distribuindo-os em duas seções – Artigos e Comunicações – que articulam o debate entre doutores e mestres, entre professores e alunos de dentro e de fora do programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Metodista. Um outro diferencial, ainda, tem a ver com os temas abordados por nossas(os) articulistas. Sandra Duarte de Souza abre esta edição com um levantamento do estado da questão, em “Masculinidade e religião: trajetórias de gênero no Brasil”. A autora nos mostra que somente no campo das Ciências da Religião é que não há muita presença de mulheres analisando a temática, enquanto no da Sociologia grande parte dos estudos sobre masculinidade é realizada por mulheres. Ela nos desafia à inovação nas Ciências da Religião. Convida-nos a mesclar o debate com especialistas homens e mulheres, pois a sociedade, constituída por duas categorias de sexo, não deve ser privada das análises de ambas sobre um tema tão importante. A proposta da autora é o objetivo deste n. 12 de Mandrágora, cujo conteúdo constitui, enfim, uma verdadeira “mesa-redonda”, um painel composto por homens e mulheres, historiadoras(es), sociólogas(os), antropólogas(os) e teólogas(os) para discutir o tema de nossa revista. Masculinidades em crise? É a questão colocada em cheque por Miriam Pilar Grossi. Em “Masculinidades: uma revisão teórica”, ela oferece uma importante contribuição para a epistemologia de gênero ao analisar masculinidades sob o prisma antropológico. Trata de temas como trabalho, honra, violência, paternidade e O magnetismo da revisão de Grossi capturou as análises das(os) demais integrantes de nossa “mesa-redonda”. Vários tópicos abordados pela autora receberam um novo enfoque ou algum aprofundamento a partir de outra(o) articulista. Ela tornou-se, assim, uma espécie de “moderadora” de nossa mesa. Começando com os temas paternidade e violência, Adilson Schultz, em “Masculinidade e teologia”, se vale de um recurso que lhe é muito peculiar: a presença bem-humorada e tocante do bibliodrama como categoria de diálogo com um texto. Traz também a voz dos homens dos grupos de discussão sobre masculinidade realizados em ambiente religioso. O autor propõe uma revisão da “masculinidade” do Deus propagado pela teologia cristã e trabalhar relações de poder entre homens e homens, além de mostrar o desconforto/incômodo que sentem os homens diante de alguns aspectos generalizantes das análises de gênero, que tendem a ser pouco dialógicas quando se trata de masculinidade. Tomando de certa forma a trilha iniciada por Schultz, Sócrates Nolasco, em “Masculinidade e infanticídio: a experiência de Isaac”, faz uma interessante análise sobre o terror como componente da construção da identidade masculina. O autor relaciona diversos exemplos da história das religiões nos quais se verifica a relação entre “pai sacrificante e filho sacrificado” como uma experiência geradora de comportamentos masculinos associados à violência e legitimados pela religião e por textos sagrados. Para ele, a dificuldade que os homens têm de definir o “ser homem” é derivada mais da preocupação em se esquecer o terror do que em descrevê-lo, pois importantes componentes psíquicos foram ativados e, muitas vezes, ser homem significa ter sido traído pelo amor conferido ao próprio pai. Carlos Calvani, em “Gemidos da criação e arrepios da teologia: sussurros éticos nos ouvidos da Igreja”, nos conduz, numa turnê histórica, até a raiz dos conflitos entre a dogmática dos pais da Igreja e as questões de sexualidade. Revisando conceitos como sodomia e “pecado contra a natureza”, o autor elenca uma série de questões que devem permear as decisões éticas da Igreja, ao invés de supervalorizar o “dogma” em detrimento do indivíduo. Encerrando seu artigo, ele propõe uma revisão da ética eclesiástica, principalmente no que se refere à homossexualidade. A parte final do mencionado artigo de Schultz serve, por assim dizer, de gancho para o texto de David Knowlton, que enriquece este número da revista com sua pesquisa singular intitulada “Vivir con el espíritu: vidas internas mormonas, género, sexualidad y tensión religiosa”. Knowlton analisa, num primeiro momento, Adilson Schultz retoma de novo a palavra, direcionando o debate para outro tópico levantado pelo texto de Miriam Pilar Grossi: a construção da identidade masculina. Em: “Ser-tão home: a ambigüidade masculina em Grande sertão: veredas”, Schultz focaliza a masculinidade como construção social e os efeitos conflitantes na vida dos personagens Riobaldo e Diadorim. O autor usa a ambigüidade da linguagem como critério para o debate do masculino e das relações de gênero, já que a alma masculina e suas nuances revelam-se de forma extraordinária na obra do romancista. A questão “papel social masculino e corporeidade” é analisada, desta vez, por Fabíola Holanda, em A doença do abandono e da perda: história oral com moradores da comunidade Santa Marcelina, em Rondônia”. O artigo é fruto da pesquisa de campo da autora numa pequena cidade do noroeste brasileiro, onde a doença é o elo entre seus habitantes. A hanseníase, que por muito tempo tem sido estigmatizada como castigo divino, fruto de pecado ou impureza religiosa, provoca em seus portadores o sentimento de exclusão e, principalmente nos homens, ocasiona humilhação, perda do emprego e da identidade masculina. Os homens hansenianos, porém, agasalham a esperança de resgatar esta identidade ao voltarem curados para suas casas e suas ocupações, numa espécie de “retorno do herói” de uma longa batalha pela vida e pela sua masculinidade. A seção Comunicações contribui com três matérias para nossa “mesaredonda”. Uma retomada teórica é feita por Francisco Reyes Archila em “La masculinidad como una construcción imaginaria: reflexiones para ayudar a reencantar nuevas maneras de ser masculino”. O autor faz uma revisão do estatuto epistemológico da masculinidade no pensamento ocidental. Determina quais colunas vertebrais sustentam esta masculinidade dominante e nos desafia a usar a criatividade, a negação e a eufemização, recursos da imaginação, na construção de uma masculinidade mais humanizante/humanizadora. Retomando o questionamento A proposta de reconstrução da identidade masculina constitui uma espécie de gancho coincidente para o texto de Fernanda Lemos, que, em “Trânsito religioso e masculinidade: uma análise de gênero das motivações para a mobilidade religiosa de homens no período contemporâneo”, insere a temática de forma pertinente nas categorias pós-estruturalistas e pós-modernas. A autora faz um levantamento da identidade masculina preconizada e mantida pela religião institucionalizada, analisando o antagonismo entre a masculinidade “pregada” e as novas possibilidades de masculinidades em voga. Como a religião modela a masculinidade contemporânea e de que forma se comporta o homem religioso diante desta modelagem? São as questões trabalhadas pela autora. Encerrando a seção de Comunicações, Lília Dias Marianno, em “Masculinidade: queremos conversar sobre isso! “Uma proposta curricular para graduações de Teologia”, faz uma articulação entre os temas desenvolvidos neste n. 12 de Mandrágora, retratando um pouco de sua experiência docente por dois anos Em seqüência as comunicações, apresentam-se, ainda, resenhas de duas obras importantes sobre masculinidade lançadas recentemente: Fernanda Lemos comenta A construção social da masculinidade, de Pedro Paulo de Oliveira; e Lília Marianno, Corporeidade, etnia e masculinidade, organizada por André Musskopf e Marga Ströher. Por fim, Isabel Félix fecha este n. 12 com o registro sobre a participação Trabalhar nesta edição de Mandrágora foi um enorme prazer. Cada autora(o) contatada(o) e cada artigo recebido nos deram a certeza de que estamos trazendo uma importante contribuição para o incremento das discussões sobre gênero e masculinidade. Queremos deixar registrado nosso profundo agradecimento a todas(os) as(os) autoras(es) pela importante e valiosa contribuição. Sabemos que as questões aqui levantadas estão longe de ser solucionadas ou fechadas, mas estamos muito felizes em ter ajudado a construir alguns degraus nesta escalada. Esperamos que você, leitora(res), possa saborear este fruto gostoso tanto quanto nós. Lília Dias Marianno* |
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Sumário Apresentação Artigos Masculinidade e Religião: Trajetórias de Gênero no Brasil Masculinidades: uma revisão teórica Masculinidade e teologia Masculinidade e infanticídio: a experiência de Isaac Gemidos da Criação e Arrepios da Teologia: Sussurros Éticos nos Ouvidos da Igreja Vivir con el espíritu: vidas internas mormonas, género, sexualidad y tensión religiosa “Ser-tão home”: a ambigüidade masculina em Grande Sertão: Veredas A doença do abandono e da perda: história oral com moradores da comunidade Santa Marcelina, em Rondônia Comunicações La masculinidad como una construcción imaginaria: reflexiones para ayudar a reencantar nuevas maneras de ser masculino Trânsito religioso e masculinidade: uma análise de gênero das motivações para a mobilidade religiosa de homens no período contemporâneo Masculinidade: queremos conversar sobre isso! Uma proposta curricular para graduações de teologia Resenhas Homem contemporâneo em crise? A nódoa moderna do “eterno” processo de “masculinização” do homem pelas instituições sociais Eis a porta! Adiante de nós, caminhos a seguir Informes Mandrágora/Netmal presente no I Encontro Nacional “Pensando Gênero e Ciências”
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