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| Protestantes, Pentecostais e Ecumênicos | ||||||||||
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Ficha
Técnica
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40,00 |
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Apresentação Trajetória de vida e produção acadêmica: protestantismo, pentecostalismo e ecumenismo nos escritos de Antonio Gouvêa Mendonça.
(Antonio Gouvêa Mendonça, Fim de um tempo, uma versão preliminar da apresentação da segunda edição do livro Protestantes, pentecostais & ecumênicos: o campo religioso e seus personagens já estava rascunhada, na metade do ano de 2007. O falecimento do Prof. Dr. Antonio Gouvêa Mendonça (1922-2007), em 20 de outubro, exigiu que este texto fosse reescrito. Nesta versão definitiva do livro, o tempo do verbo passou do presente para o passado. Não resistimos à tentação de fazer desta apresentação muito mais do que uma introdução: uma relação entre a trajetória de vida de Mendonça e sua produção acadêmica sobre as instituições e movimentos religiosos de corte protestante, pentecostal e ecumênico. Essa produção encontra-se representada nos oito artigos deste livro. Ao apresentar esta nova edição, só podemos falar de Mendonça no passado. Ele faleceu em Brotas, cidade histórica para o presbiterianismo brasileiro, após um período de quase um ano e meio de luta contra um câncer. Ao descobrir essa enfermidade, Mendonça enfrentava, com muita esperança de recuperação, uma crise coronária, no Instituto do Coração em São Paulo. O agravamento do estado de saúde acabou por provocar seu afastamento da docência na Universidade Presbiteriana Mackenzie, na metade de 2006. Quando redigimos a introdução à primeira edição deste livro (1997), Mendonça ainda trabalhava na Universidade Metodista de São Paulo, na docência e na coordenação do Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Sociologia do Protestantismo (Gipesp). Comemorava naquele ano os seus 75 anos em plena atividade intelectual e assim se manteve até a metade do ano anterior à sua morte. Por isso, quando da publicação daquela primeira edição, Mendonça foi considerado "um privilegiado observador" do campo religioso brasileiro, desde a sua chegada à cidade de São Paulo, no início da década de 1930. No decorrer do primeiro semestre de 2007, Mendonça ainda mantinha sua rotina de trabalho, todos os dias na parte da manhã, em sua biblioteca, escrevendo artigos que foram publicados, alguns deles nos meses que antecederam sua morte, outros logo após ou ainda inéditos. Um dos últimos textos escritos por ele foi inserido no final deste livro: "Choças e choupanas", uma quase memória, ou um texto nostálgico dos tempos em que era um "menino protestante", percorrendo os cafezais da Alta Paulista. Curiosamente, até os nove anos de idade, Mendonça ainda não fora alfabetizado. Na metade do ano de 2007, Mendonça já entrava na fase final da enfermidade. As quimioterapias pouco ajudavam e por isso foram suspensas. Naquele contexto, recebemos a incumbência dele e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo, de preparar uma nova edição deste livro. Solicitavam que fosse uma edição ampliada e definitiva. Iniciamos o processo de editoração. No entanto, Mendonça percebeu que não conseguiria esperar esta nova edição, e nem a 3ª edição de O celeste porvir: a inserção do protestantismo no Brasil1, que veio a público alguns meses após sua morte, publicado pela Edusp, Editora da Universidade de São Paulo, no início de 2008. Aliás, publicar sua tese de doutorado pela editora da própria instituição onde recebeu o título de Doutor em Ciências Sociais era um antigo sonho. Graças ao acompanhamento de um outro seu grande amigo, o Prof. Dr. João Batista Borges Pereira, também da Universidade Mackenzie, o sonho se realizou. Em agosto de 2007, Mendonça me solicitou que, a partir de então, tratasse de todas as questões relativas às suas publicações com o Dr. Eduardo Gouvêa Mendonça, seu filho. Mendonça não mais podia sair da cama, mesmo para digitar em seu computador, que aos 75 anos tornou-se sua ferramenta de trabalho, em lugar da velhíssima Olivetti Lettere 22, que o acompanhou por quase meio século nas atividades acadêmicas. No final de setembro nos reunimos em sua casa, em Brotas, quando então foram aprovadas as mudanças, assim como o formato desta segunda edição de Protestantes, pentecostais & ecumênicos. Algumas semanas depois, Mendonça faleceu. Passamos, então, a operacionalizar as alterações nos aspectos arquitetônicos do texto e na redistribuição do material. Tiramos do livro o primeiro capítulo, que analisava a cientificidade da Teologia e das Ciências da Religião. Seu autor opinou que esse ensaio seria mais apropriado para as discussões a respeito da inserção da Teologia e das Ciências da Religião no meio acadêmico e não tinha afinidade com o título da obra. Pediu também que o segundo capítulo fosse remanejado para o final do livro, acrescentando-se mais dois textos publicados em revistas especializadas, cujos conteúdos se harmonizam com o título e subtítulo deste livro. Mendonça nos enviou o que viria a ser o último capítulo deste livro, uma espécie de memória. A rigor, como ele mesmo declara, não é um texto acadêmico. Mas seu objetivo era discutir, mais uma vez, o objeto de sua paixão _ a inserção do protestantismo histórico (presbiteriano, metodista e batista) nas "trilhas do café". Nesta Introdução à segunda edição vamos retomar muitas das afirmações contidas na primeira, especialmente porque Mendonça, por vários motivos, foi um privilegiado observador do fenômeno religioso, particularmente do protestantismo brasileiro nos últimos 80 anos. Afinal de contas, ele fez o trânsito do rural para o urbano muito antes da maioria dos demais paulistas. Ele veio do interior de São Paulo, região rural do município de Arealva, para a cidade de São Paulo, em 1931, no início de uma década de profundas mudanças locais, nacionais e mundiais. A cidade de São Paulo, nessa época, despertava para se tornar, graças ao acelerado processo de industrialização e urbanização, uma das maiores metrópoles do mundo. Mendonça, órfão de mãe em 1931, aos nove anos de idade, deixou o pai, a madrasta e os meio-irmãos e veio residir na casa de sua tia Áquila, que faleceu alguns meses antes de Mendonça, aos 106 anos de idade. Ele nos confessou certa vez que tinha esperança de se tornar centenário tal como a tia-mãe. A partir de 1931, o menino Antonio tornou-se mais um residente da região do Brás, bairro onde vivia a colônia italiana que, vinte anos antes, havia recebido o pregador pentecostal ítalo-americano, Luis Francescon, que deu origem a um dos principais ramos do pentecostalismo brasileiro, a Congregação Cristã no Brasil. Posteriormente, seu sogro iria aderir àquele ramo pentecostal. Talvez essa proximidade com os embates entre presbiterianos e pentecostais tenha aguçado a curiosidade e despertado sua atenção para os conflitos dentro do campo religioso. Em São Paulo, Mendonça integrou-se às atividades de uma comunidade presbiteriana independente. Nessa denominação religiosa envolveu-se até os 44 anos como leigo, depois como ministro protestante, professor do Seminário Teológico, redator do jornal da Igreja, e assim por diante. Desempenhou as funções de pastor protestante em comunidades religiosas de populosos bairros operários, na região de Santo André, Mauá e Osasco, após ter abandonado uma carreira promissora em uma companhia multinacional de seguros de vida. Até então ele era apenas um licenciado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), sem formação teológica alguma. Era um autodidata em Teologia desde a juventude. Na década de 1970, fez "curso vago" na Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana Independente, recebendo das mãos de seu reitor, Dr. Rubens Cintra Damião, o diploma de bacharel em Teologia. Àquela altura, Mendonça já era pastor protestante havia dez anos. Seu conhecimento do protestantismo foi construído a partir de dentro e não só com a visão científica que circula na Academia. No final da década de 1970, Mendonça entrou para o Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade de São Paulo, onde foi acolhido por Duglas Teixeira Monteiro, seu primeiro orientador, e por Lísias Nogueira Negrão, seu segundo orientador, após a morte trágica de Monteiro. Ajudou o já quase sexagenário na elaboração da tese de doutoramento a longa experiência de vida e um vasto conhecimento da historia social do protestantismo brasileiro e norte-americano. Essa visão de seu objeto, a partir de dentro, foi fundamental para a produção da tese O celeste porvir: a inserção do protestantismo no Brasil (São Paulo, Paulinas, 1984). Antonio Mendonça terminou o doutorado aos 61 anos de idade. Trabalhou na Metodista por mais de vinte anos, onde se aposentou e tornou-se professor emérito. Suas atividades docentes tiveram continuidade na pós-graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie enquanto a saúde lhe permitiu. Questionado sobre as longas viagens entre Brotas e São Paulo, sobre a estadia em hotéis próximos ao Mackenzie, o avanço da idade, as preocupações da família e dos amigos, o hábito de viajar sozinho, o argumento que gostava de usar era sempre este: "Comecei as minhas atividades todas mais tarde que os outros. Por isso, preciso ir até onde as condições permitirem". O corpo, no entanto, já não mais acompanhava a lucidez da mente, que foi a última coisa que lhe deixou de funcionar. Mendonça, apesar de sua inserção no campo protestante, esforçava-se para trabalhar cientificamente o protestantismo. Daí que lhe calaram fundo as afirmações feitas por uma pesquisadora carioca que, em um artigo2, discutiu algumas questões de ordem metodológica e epistemológica, referindo-se a uma possível dificuldade de Mendonça com relação à "neutralidade". A autora referia-se ao fato de que Mendonça não teria "deixado claro no interior de seu livro […] sua posição enquanto pastor e cientista social, estudando a religião que professa". Mendonça queixava-se: "No meio protestante sou muito crítico para ser considerado um bom clérigo, e na academia dizem que sou pouco neutro em minhas pesquisas". No entanto, quem compartilhou da vida acadêmica e pessoal de Mendonça sabe o quanto ele era crítico da tradição que amava _ reformada e calvinista. Ele se entregava a uma relação passional com o calvinismo em sua forma presbiteriana. Tudo isso sem deixar de chamar a atenção para os problemas ligados à repressão, ao dogmatismo e aos efeitos da intolerância no meio religioso. Tais posturas custaram-lhe dificuldades com o conservadorismo de alguns clérigos da denominação religiosa à qual esteve ligado a vida toda. Por outro lado, Mendonça era um feroz crítico de novas formas de recomposição do religioso, entre outras do fundamentalismo e do pentecostalismo centrado na cura divina, exorcismo e prosperidade, como é o caso da Igreja Universal do Reino de Deus. A respeito desse tema podemos encontrar em seus escritos, tanto nos reunidos neste livro, como aqui ou ali, comentários acres e impacientes. Talvez aqui esteja o alvo da crítica de Leonardos, entre outras. Como afirmamos, a trajetória de vida de Mendonça deu-se num período de grandes mutações sociais, culturais e econômicas, com profundas repercussões no campo religioso. Sua adolescência e juventude deu-se na época dos grandes embates entre comunismo, fascismo, nazismo e, no Brasil, entre integralismo e comunismo. Recordamos aqui as palavras de Karl Mannheim3, segundo o qual é em épocas como estas que "por todo o mundo, não somente se sente mal-estar, mas se põem em dúvida as próprias bases da existência social, a validade de suas verdades e a solidez de suas normas […], muitos se sentem propensos a duvidar até da possibilidade de uma vida intelectual". Mannheim referia-se, então, à tendência de considerar que "a pura análise lógica" tinha separado "o pensamento individual de sua situação dentro de um grupo" e que tal tendência também teria provocado a separação entre "o pensamento e a ação". Essa "crise atual do pensamento" estaria sendo experimentada a fortiori pelos intelectuais, cuja função é a de elaborar uma interpretação do mundo para o grupo social ao qual eles pertencem4. Talvez por causa dessa percepção das origens das categorias sociais do pensamento, Mannheim tenha se tornado leitura preferida de muitos estudiosos da segunda metade do século XX, inclusive de Mendonça, que sobre ele chegou a oferecer cursos para doutorandos da Umesp. Achamos apropriado pressupor, e esta também foi a nossa experiência, que viver, pensar e pesquisar em períodos históricos como estes, tem suas vantagens e desvantagens. A grande vantagem está na realização, com talvez mais facilidade, daquilo que Pierre Bourdieu chama de "conversão do olhar" ou "ruptura epistemológica"5. Para Bourdieu, as rápidas mudanças socioculturais estimulam alguns atores a adquirirem uma visão perspicaz e crítica da própria sociedade em que vivem e que está em processo de ebulição. Isso é fundamental para a gênese das ciências sociais, insiste Bourdieu, acrescentando que "as rupturas epistemológicas são muitas vezes rupturas sociais, rupturas com as crenças fundamentais do corpo de profissionais, com o campo de certezas partilhadas que fundamenta a communis doctorum opinio". A postura do professor Mendonça, durante quase meio século de investigações, como pesquisador e docente, esteve longe daquela "má-fé" denunciada por Bourdieu ao afirmar que os sociólogos da religião, egressos do campo religioso, tendem a fazer de sua ciência apenas um acerto de contas com a antiga instituição religiosa da qual fizeram parte até a ruptura6. Mannheim registra que é justamente em contextos como estes que "desaparece a ilusão do intelectual de que existe um só modo de pensamento"7. Mas, não teria a Sociologia do Conhecimento, especialmente a de Mannheim, subestimado ou não levado em conta os riscos de recrudescimento dos movimentos fundamentalistas, cuja epistemologia centra-se na capacidade de se apreender uma verdade e de fazer dela uma regra infalível de fé e prática, conforme escreveram Mendonça e Velasques em Introdução ao protestantismo no Brasil8? Ora, foi exatamente nesse nível que a carreira eclesiástica de Mendonça encontrou dificuldades. Ele se distanciou das lutas eclesiásticas de seu tempo e época. Esse aparente desinteresse pelos combates normais no interior do campo religioso provocou o seu isolamento eclesiástico nos dois últimos decênios de vida intelectual. Seus vínculos com o ecumenismo eram evidentes e lhe criaram dificuldades como ministro presbiteriano independente. Em uma "autobiografia" (2006) ele escreveu: "Fui um militante do ecumenismo, o que me causou problemas eclesiásticos que me distanciaram até hoje de minha denominação. Colaborei muitos anos com instituições ecumênicas, como o Cesep e a Pastoral Protestante do Cedi _ Centro Ecumênico de Informações, hoje Koinonia". Realmente, clérigos "carismáticos" e "conservadores", sem contar os mais "liberais", reconheciam o seu valor acadêmico. Mas, alguns procuravam "estrategicamente" dele não se aproximar. Outros se aproximavam mais para capitalizar seus lucros simbólicos, creditando-os, quando possível, à denominação à qual amava, dentro da qual viveu em tensão, mas à qual esteve ligado até o fim de sua vida. A um amigo, Roberto Lessa, responsável pela coluna Som do Evangelho, do desaparecido matutino paulistano Folha da Tarde, ele escreveu, no final da década de 1970: "Caro amigo, escrevo-lhe estas palavras de meu exílio eclesiástico aqui em Osasco". Antonio Mendonça havia sido pressionado a renunciar à reitoria do Seminário Teológico de sua denominação religiosa e estava desempregado. Foi quando, então, um amigo de Mauá, Oscar Ferle, num dia de muita chuva, num gesto sempre lembrado por Mendonça, foi até Osasco levando-lhe um convite do Prof. Luis Pereira Boaventura para lecionar no Instituto Metodista de Ensino Superior. Começava uma nova fase em sua vida. No entanto, às vezes era tomado por um sentimento de desânimo e depressão diante das lutas, pois Mendonça "não era de briga", diziam os amigos e inimigos. Mendonça era dado à prática do diálogo inter-religioso e ao ecumenismo. Por isso mesmo, no seu último ambiente de trabalho, com elegância e respeito, ele convivia e se relacionava muito bem com ministros presbiterianos ou não, muitos teologicamente conservadores e antiecumênicos. Por tudo isso, a trajetória biográfica de Mendonça foi única e singular, porém, o que ele gostava de citar Hegel poderia lhe servir muito bem: "Um homem é mais filho de sua época do que de seus pais". Por isso deve-se notar que o locus sociológico de suas contribuições às Ciências da Religião é o mesmo que favoreceu o surgimento de uma geração de intelectuais de procedência protestante e católica. Essa geração emigrou do ativismo relativamente ingênuo, estimulado e tolerado pelas instituições religiosas tradicionais, para uma atividade intelectualmente crítica e prática mais voltada para as transformações sociais e culturais do País. Seus participantes, colhidos pelo Golpe Militar de 1964, deslocaram-se para uma perspectiva crítica e se instalaram no interior de instituições acadêmicas ou de organizações paraeclesiásticas, convenientemente montadas à margem das instituições oficiais. Os institutos ecumênicos ou algumas ONGs serviram de destino a tais intelectuais. Mendonça, por sua vez, instalou-se no Instituto Ecumênico de Pós-Graduação em Ciências da Religião (IEPG), em São Bernardo do Campo. Por um lado, como em todo processo de ruptura, o distanciamento institucional trouxe para esses atores inúmeras desvantagens pessoais e familiares, porque as rupturas provocam desconforto, renúncia e incompreensão dos que não migram; por outro, mágoas, incertezas ou situações de penúria para os que ousaram emigrar. Acrescente-se a esses fatos que as organizações religiosas brasileiras reagiram, nas décadas de 1960 e 1970, sob a influência de um regime autoritário, colocando em prática mecanismos inquisitoriais, atribuindo estigmas aos "desviantes", que eram então rotulados de "traidores", "modernistas", "hereges", "subversivos", "infiéis" ou, no pior dos casos, "comunistas". Algumas dessas organizações, com evidentes problemas de identidade ameaçada, procuravam manter a criatividade dos "intelectuais rebeldes" sob controle institucional, tentando canalizar as energias represadas para a reprodução de estratégias oficiais de desenvolvimento, reprodução ou manutenção da identidade. Poucos intelectuais daquele período conseguiram conciliar a visão crítica da academia e uma práxis social mais voltada para a justiça social com uma atuação religiosa que fosse considerada "eficiente" pela hierarquia eclesiástica. Esses poucos teriam conseguido, segundo Bourdieu "acumular as vantagens da lucidez científica" e a "fidelidade religiosa"9. Na década de 1970, Mendonça enveredou por uma trajetória de vida semelhante à de outros clérigos e leigos, protestantes e católicos, de sua geração. Todos eles, ao ampliar o campo de percepção crítica dos fenômenos culturais e religiosos, passaram a investir nas atividades acadêmicas e nos processos de formação intelectual. Tais carreiras foram interrompidas principalmente pela dedicação às atividades cotidianas no interior das organizações eclesiásticas. De forma semelhante, Mendonça retornou à academia para terminar seus estudos, vindo a se formar, no final da década de 1950, em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP). Da experiência com as tensões da formação acadêmica e da convivência com o campo religioso Mendonça retirou o capital intelectual necessário para seu engajamento no magistério. Com isso, a Igreja perdeu um pastor, mas a universidade ganhou um paciente professor e as Ciências da Religião, um meticuloso pesquisador. No início da década de 1970 encerraram-se as atividades do Instituto José Manuel da Conceição (Jandira, SP), onde Mendonça morava e lecionava. A partir de então, sua ação acadêmica se estendeu à Faculdade de Teologia da IPI, onde foi reitor, e o subscritor destas linhas foi seu aluno. Após crises e conflitos na direção daquele seminário, Mendonça tornou-se professor em diversas faculdades pertencentes à Federação de Escolas Superiores do ABC, entidade mantida pelo Instituto Metodista de Ensino Superior, hoje Universidade Metodista de São Paulo (Umesp). Ora, a produção intelectual de Mendonça, parte da qual está reunida nesta coletânea de ensaios se insere em uma trajetória de vida que em 2007 completou 85 anos. Ela deve ser lida e analisada no contexto de lutas rotineiras do qual um intelectual também participa, querendo ou não, desde que não se encerre numa torre de marfim. Em sua maioria, foram textos preparados para cursos, seminários, congressos ou colóquios. Por sua natureza, situam-se num terreno fronteiriço entre a comunicação oral e escrita, visto terem sido produzidos para servirem como instrumentos de trabalho didático em salas de aulas ou em salas de conferências. Por esse motivo, há, aqui ou ali, indícios de oralidade, expressos especialmente no caráter lacônico de certas colocações e nem sempre levadas até as últimas conseqüências. Daí porque as páginas deste livro são apresentadas como se fossem balizas colocadas ao longo de uma corrente de artigos sobre o fenômeno religioso brasileiro. Estas balizas foram registradas em textos que se prolongaram, muitas vezes, em profícuas contribuições para fora das classes, inclusive no decorrer das orientações dadas às dezenas de seus alunos de pós-graduação e na participação em cerca de uma centena de bancas de mestrado e doutorado em várias partes do Brasil. Essas características aqui apontadas podem nos ajudar a compreender mais adequadamente o material que temos em mãos. Até porque estes textos, mais do que outros escritos de Mendonça, trazem-nos as marcas de uma produção que exige uma explicação que indique suas respectivas origens e que se encontra no final deste livro. Esta contextualização dos textos se faz necessária, não se devendo, portanto, exigir deles mais do que as condições de elaboração e transcrição lhes permitem. Esse é motivo de chamarmos a atenção dos leitores para a realidade geradora dos ensaios aqui reproduzidos. Principalmente porque, entre a transcrição eletrônica, a garimpagem dos manuscritos, distribuídos em cadernos ou em artigos espalhados em várias revistas especializadas, houve também, aqui ou ali, a inserção de comentários do autor ou pequenas modificações de uma publicação para outra. Também deve ficar bem claro que o livro Protestantes, pentecostais & ecumênicos, desde sua edição de 1997, expressa o desejo dos amigos, alunos, professores e admiradores de Mendonça, de fazer circular entre um público mais amplo suas considerações e observações sobre a religião no Brasil. Eles acreditam que tais escritos, que estimularam a reflexão principalmente de estudantes de pós-graduação em Ciências Sociais e Religião, provocando, assim, um avanço no conhecimento que temos do protestantismo brasileiro, também pode ajudar o público interessado no protestantismo enquanto fenômeno religioso. Durante duas décadas, estas contribuições de Mendonça tiveram seu fulcro no Instituto Ecumênico de Pós-Graduação em Ciências da Religião, entidade ligada à Universidade Metodista de São Paulo e, entre 2002 e 2006, na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Por todos esses motivos, devemos considerar esses textos produções intelectuais geradas no calor de aulas e debates, representando contribuições significativas para o estudo do fenômeno religioso entre nós. Essa coletânea também pretende auxiliar na discussão sobre a sobrevivência (continuidade ou ruptura?) da religião numa sociedade sujeita a mutações culturais, sociais e econômicas, interpretadas como sinais da passagem da modernidade para a pós-modernidade, do segundo para o terceiro milênio. Tudo isso no contexto de uma civilização que, mesmo insistindo em se declarar cristã, permite a recomposição de crenças dentro de outras "formatações". Nesse sentido, a contextualização dos textos aqui inseridos deve valorizar as tensões biográficas, a noção do campo religioso como campo de batalha, as dificuldades vividas em todo o mundo pelo protestantismo histórico, que por décadas foram objeto de estudo e pesquisa do professor Mendonça. Esta pergunta sempre perturbou o nosso autor: Há algum futuro pleno de sucesso para esse tipo de instituição religiosa num continente secularmente dominado pelo catolicismo e hoje portador, por um lado, de um espírito secularista e, por outro, pela volta a uma religiosidade popular de tendências emocionais e mágicas? Jean-Paul Willaime10, ao estudar os dilemas, a decadência e a precariedade do protestantismo europeu, chama a atenção para questões que também são nossas aqui no Brasil e que desafiaram a produção intelectual do professor Mendonça. Referimo-nos às relações estabelecidas pelo protestantismo com a modernidade, que também contribuíram para o surgimento de uma sociedade secularizada e pluralista. Mas, como manter algumas características do "protestantismo histórico", tais como a soli scriptura, soli gratia, sacerdócio universal dos crentes e as perspectivas anticatólica, antiecumênica e racionalizante, num contexto cultural marcado por um amplo processo de "desmanche" que se pretende expressar com o termo "pós-modernidade"11? Mendonça compartilhava a crença de que o crescimento do pentecostalismo, principalmente em suas variantes neopentecostais em nosso continente, tornará obrigatórias discussões internas sobre os dilemas culturais, os desafios para a identidade protestante e também sobre a necessidade de se redesenhar o cenário do campo religioso do século XXI. Uma mensuração desse cenário nos mostra que não está ocorrendo uma descristianização do campo religioso brasileiro, a não ser que se valorize o aumento no número dos que afirmam ser "sem religião", conforme os dados do Censo 2000. Há, sim, uma recomposição da crença, um trânsito religioso, cuja velocidade aumenta a cada decênio. Essa percepção pode ser reforçada se somarmos o número de católicos e evangélicos do Censo 2000. O resultado será um percentual de 89,5% de cristãos no Brasil. No entanto, do total de 26,4 milhões, ou 15,6% da população, 68,64% são pentecostais. As quatro maiores denominações pentecostais (Igreja Assembléia de Deus, Congregação Cristã no Brasil, Igreja Universal do Reino de Deus e Igreja do Evangelho Quadrangular) perfazem o total de 79,71% de todos os pentecostais do País. Os evangélicos históricos, ou não-pentecostais e não-carismáticos (incluindo-se, para fins de cálculo, os adventistas), eram apenas 5% da população do País no início da década atual. Esse crescimento do pentecostalismo, ao lado da estagnação do protestantismo tradicional, fazia-se presente nos escritos, falas e preocupações de Mendonça, especialmente nos últimos. Apresentamos, a seguir, um mapa sintético que pensamos ser útil ao leitor para a navegação neste estimulante texto do professor Antonio Gouvêa Mendonça, nesta segunda edição, revista, aumentada e definitiva. O primeiro capítulo "Protestantismo e cultura", focaliza a sempre presente discussão sobre as relações do protestantismo com a cultura ocidental. Nele, Mendonça reúne temas e contribuições de autores como Paul Tillich e sua visão sobre as relações do protestantismo com a cultura católica européia e com o protestantismo norte-americano, à luz da famosa pergunta: "Vivemos o fim da era protestante?"; Ernst Troeltsch, sobre as relações do protestantismo com o mundo moderno; Rubem Alves, sobre os compromissos do protestantismo na América Latina, cuja discussão básica gira ao redor da seguinte pergunta: Neste continente, o protestantismo desempenhou um papel de manutenção ideológica da sociedade ou expressou, pelo menos inicialmente, uma força transformadora e utópica? Discute ainda Freud e os pensadores da Escola de Frankfurt, que são analisados do ponto de vista da crítica sobre as relações do protestantismo com a cultura repressiva. No segundo capítulo "Hipóteses sobre a mentalidade popular protestante no Brasil", Mendonça comenta algumas das hipóteses a respeito da existência de uma mentalidade popular protestante no Brasil. A análise começa com a teologia simples dos missionários norte-americanos que se estabeleceram no Brasil a partir da metade do século XIX e tenta desvendar a pergunta motivadora: Que condições e componentes locais e alienígenas combinaram na formação dessa "mentalidade popular"? Seria o ritual o ponto de encontro entre concepções diversas embutidas na teologia dos missionários pertencentes ao protestantismo histórico? Ao terceiro capítulo Mendonça chamou de "O protestantismo latino-americano: entre a racionalidade e o misticismo". Este texto toca num ponto muito sensível, talvez o calcanhar de Aquiles do difícil equilíbrio entre racionalidade e emotividade no interior das religiões estruturadas. No protestantismo, tanto da América Latina quanto em outros lugares, há um esforço para se combinar duas coisas de complicada convivência e de se fugir do desequilíbrio. É possível que a pentecostalização do protestantismo histórico brasileiro, que afeta presbiterianos, batistas, metodistas, congregacionais, luteranos e episcopais, indique a atratividade da hipótese defendida aqui pelo autor. Já no quarto capítulo, "Jesus e os últimos liberais: um estudo sobre John Mackay, H. E. Fosdick e Miguel Rizzo Júnior", o autor analisa alguns personagens típicos do protestantismo do século XX. Dois deles são reformados: John Mackey e Miguel Rizzo Júnior. Um outro, Harry Fosdick, foi um ex-pastor batista que, com o apoio financeiro de John Rockefeller Júnior, estabeleceu uma Igreja desligada da constelação denominacional norte-americana voltada às causas liberais. Assim surgiu o majestoso templo da Riverside Church, com a finalidade de comunicar a fé protestante aos intelectuais das décadas de 1930 a 1960. Inspirando-se na Sociologia do Conhecimento, Mendonça procura abordar sociologicamente algumas lideranças religiosas protestantes. O quinto capítulo trata de um discutido tema: os novos pentecostais. Seria "neopentecostalismo" o melhor termo para designar esse movimento? Quais são suas características? É um fenômeno a ser analisado na perspectiva da ruptura ou da continuidade? Nele o autor chama a atenção para o aspecto histórico da questão dos transes e êxtases dentro do cristianismo; descreve o início do "pentecostalismo clássico" e do "neopentecostalismo" no Brasil, relacionando-os com o "imaginário social", que forneceria, segundo o autor, um campo propício para o crescimento desse tipo de religiosidade. O sexto capítulo dá continuidade à discussão do capítulo anterior. Trata-se do texto "Sindicato de mágicos: pentecostalismo e cura divina". Talvez esse tenha sido um dos textos de Mendonça mais provocativos. Seu ponto de partida foi a distinção que cientistas sociais do século XIX tentaram estabelecer entre "magia" e "religião" e a separação de Weber entre "sacerdotes" e "mágicos". A provocação para o debate vem exatamente da dificuldade vislumbrada pelo autor de separar, nas novas formas de pentecostalismo, o interesse religioso e as práticas mágicas. Onde localizar a linha de demarcação entre os extremos? Nesse capítulo há uma das mais contundentes afirmações de Mendonça a respeito do neopentecostalismo e que aponta para o problema das identidades coletivas em tempos de desregulação do campo religioso e, dentro dele, dos reflexos na ação dos atores religiosos: "o pentecostalismo de cura divina, também chamado de neopentecostalismo ou pentecostalismo autônomo, mal resiste a uma análise mais rigorosa quanto à sua identidade cristã". Há quem veja nesta frase um juízo de valor ou uma demonstração de subjetividade. Instado várias vezes em nossas discussões a repensar essa afirmação, Mendonça sempre insistiu em mantê-la, alegando ser necessário rediscutir a questão da identidade protestante e pentecostal em um contexto de rápidas, profundas e crescentes mudanças. Para ele, a explosão de novos movimentos religiosos utilitaristas, a acomodação do cristianismo em uma sociedade em que os valores se articulam ao redor do mercado, apresenta-se como uma das principais formas de identificar continuidades em meio a tantas rupturas. Assim, a saída mágica da religião, ao lado das emoções, parecia-lhe mais um rompimento com o que, à sua forma de ver, sempre caracterizou a religião cristã, especialmente o protestantismo, ao longo dos séculos anteriores. Em outras palavras, Mendonça procura opor os pentecostais e protestantes tradicionais aos vários grupos de novos pentecostais. O sétimo capítulo "O pensamento ecumênico: contradições e história", toca num tema não menos estimulante: como e em que circunstâncias surgiu o ecumenismo tal como o temos conhecido? Que papel tiveram as idéias ecumênicas na construção de uma alternativa religiosa nos séculos posteriores ao divisionismo, que implodiu a unidade dos cristãos ocidentais no século XVI? Que ligações há entre o ecumenismo, o Iluminismo e o movimento leigo dos séculos XVII a XIX? O oitavo e último capítulo resultou de uma decisão do organizador deste livro. Para o leitor, este texto aparenta ser, logo no início, um ensaio autobiográfico. Mendonça, contudo, era arredio a escrever algo que se aproximasse de uma autobiografia. Achava difícil praticar qualquer tipo de neutralidade quando se trata desse estilo de escrever. No fundo, é possível que pensasse restar-lhe tempo suficiente para fazer alguma coisa nessa perspectiva. Daí a sua afirmação:
Nunca pretendi escrever minhas memórias, já tenho dito e escrito isto em vários momentos. Não desejo que estas linhas sejam entendidas como autobiografia, porque o objetivo delas é outro, é um pretexto para entender uma só coisa: o modo como a religião, no caso o protestantismo, ao mesmo tempo em que encontrou espaço num mundo culturalmente adverso, espaço este inicialmente no mundo rural, no mundo caipira, não foi capaz de romper as barreiras culturais e veio a ser uma religião de comunidades fechadas e domingueiras.
Com essas palavras entregamos ao público interessado em questões de Sociologia da Religião, especialmente nas pesquisas sobre o protestantismo da perspectiva das Ciências Sociais e dos Estudos Culturais, esta segunda edição de Protestantes, pentecostais & ecumênicos: o campo religioso e seus personagens. Fazemos isto com o mesmo otimismo e desejo que orientaram a edição anterior, que pretendia fomentar discussões, estimular investigações mais aprofundadas sobre esse complexo setor do campo religioso brasileiro, cenário da ação de personagens que construíram identidades protestantes tradicionais, liberais, pentecostais, neopentecostais, carismáticas, fundamentalistas e ecumênicas. Nesta tarefa de trazer a público esta edição está embutida a sensação de perda que seus amigos, alunos e professores, de todos aqueles que conviveram com Mendonça na Universidade Metodista de São Paulo e na Universidade Presbiteriana Mackenzie, sentem depois de sua morte. Nesse sentido, a publicação deste livro, que seria uma homenagem pelos seus 85 anos, tornou-se o registro de uma saudade. Mais do que isso, houve aqui uma tentativa de relacionar a trajetória pessoal de um pesquisador com os resultados de cinqüenta anos de pesquisas, cristalizados na forma de artigos acadêmicos ao longo de uma carreira acadêmica e projetos de investigação, ambos profícuos. Prof. Dr. Leonildo Silveira Campos 1 Mendonça, Antonio Gouvêa. O celeste porvir; a inserção do protestantismo no Brasil. 1. ed. São Paulo: Paulinas, 1994; 2. ed. São Paulo: Pendão Real/Aste/Ciências da Religião, 1996; 3. ed. São Paulo: Edusp, 2008. 2 LEONARDOS, Ana Maria. O protestantismo brasileiro: três momentos de análise acadêmica. Comunicações do ISER, Rio de Janeiro, ano 6, n. 24, mar. 1987. 3 MANNHEIM, Karl. Ideologia e utopia. Porto Alegre: Globo, 1954. p. xxvii. 4 Id., ibid., p. 4. 5 Bourdieu, Pierre. O poder simbólico. Lisboa: Difel, 1989. p. 39. 6 BOURDIEU, Pierre. Coisas ditas. São Paulo: Brasiliense, 1990. p. 109 7 Id. Ibid., 11. 8 MENDONÇA, Antonio Gouvêa & VELASQUES FILHO, Prócoro. Introdução ao protestantismo no Brasil. 1. ed. São Paulo/São Bernardo do Campo: Loyola/IEPG, 2002. pp. 139 ss. 9 Bourdieu, Pierre. Coisas ditas. São Paulo: Brasiliense, 1990. p. 113. 10 Willaime, Jean-Paul. La précarité protestante: Sociologie du protestantisme contemporain. Genève: Labor & Fides, 1992. Willaime foi recebido por Mendonça em um seminário promovido na Umesp, em 2001, pelo Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Sociologia do Protestantismo. No decorrer de uma semana, vários oradores, além de Willaime, apresentaram contribuições significativas para uma análise do protestantismo contemporâneo. 11 Ver Featherstone, Mike. O desmanche da cultura: globalização, pós-modernismo e identidade. São Paulo: Stúdio Nobel, 1997.
APRESENTAÇÃO _ Trajetória de vida e produção acadêmica: protestantismo, pentecostalismo e ecumenismo nos escritos de Antonio Gouvêa Mendonça Capítulo 1 _ PROTESTANTISMO E CULTURA 1. Protestantismo e cultura em Paul Tillich A Igreja Católica Romana A Igreja protestante e a situação-limite da vida humana A mensagem protestante O poder formativo do protestantismo A realidade da graça O secularismo protestante Forma, criação, atividade e conhecimento religioso O espírito do protestantismo e a cultura autônoma A questão das tendências atuais do protestantismo O "princípio protestante" e a situação do proletariado Por que o protestantismo é tão antiproletário? 2. Protestantismo e mundo moderno em Ernst Troeltsch Pontos de ajustamento: 3. Protestantismo e cultura na América Latina: ideologias versus utopia 4. Protestantismo e cultura repressiva Salvação individual e progresso. A crítica de Freud e da "Escola de Frankfurt" Capítulo 2 _ HIPÓTESES SOBRE A MENTALIDADE POPULAR PROTESTANTE NO BRASIL 1. A teologia simples dos missionários 2. A assimilação da mensagem protestante 3. Componentes alienígenas da teologia popular protestante 4. Componentes locais da teologia popular protestante. 5. Tentativa de composição de um spectrum da teologia protestante popular 6. O protestantismo positivo 7. A questão do ritual: o encontro de duas concepções Considerações finais
Capítulo 3 _ O Protestantismo latino-americano: entre a racionalidade e o misticismo 1. Protestantismo 2. Misticismo 3. A racionalidade 4. Misticismo e racionalidade nos revival 5. Protestantismo e diáspora cultural 6. Um novo misticismo: muitos deuses e revelações em cena. Considerações finais
Capítulo 4 _ JESUS E OS ÚLTIMOS LIBERAIS: UM ESTUDO SOBRE JOHN MACKAY, HARRY E. FOSDICK E MIGUEL RIZZO JÚNIOR (Extrema se tangunt)
1. John A. Mackay (1889-1983) 2. Harry Emerson Fosdick (1878-1969) 3. Miguel Rizzo Junior (1890-1975) 4. Jesus na religiosidade brasileira 5. Os Cristos brasileiros Considerações finais Capítulo 5 _ O NEOPENTECOSTALISMO Introdução 1. A evolução das religiões do Espírito: transes e êxtases 2. O início do pentecostalismo moderno e sua repercussão no Brasil 3. O início do neopentecostalismo no Brasil 4. O imaginário social e o neopentecostalismo Considerações finais
Capítulo 6 _ SINDICATO DE MÁGICOS: PENTECOSTALISMO E CURA DIVINA (DESAFIO HISTÓRICO PARA AS IGREJAS) 1. Distinções preliminares 2. A teologia geral e os matizes 3. Ação no mundo (Igreja) 4. As técnicas 5. O sentido 6. Balanço geral Capítulo 7 _ O pensamento ecumênico: contradições e história 1. Reforma e divisionismo protestante A Reforma luterana A Reforma calvinista A Reforma anglicana Declínio religioso e avivamento João Wesley 2. Os antecedentes do movimento ecumênico O Iluminismo e o enfraquecimento da religião Ação e reação do protestantismo ao Iluminismo O divisionismo do mundo protestante A reação ao divisionismo: o campo de forças dentro do protestantismo e o reavivamento católico 3. O movimento ecumênico e seu ponto de partida: missões protestantes e movimento leigo 4. Ecumenismo, Congresso de Edimburgo (1910) e o início da perda da convergência
Capítulo 8 _ Choças ou ranchos _ memórias de um menino protestante Bibliografia Origem dos textos
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