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| Ler as letras: por que educar meninas e mulheres? | ||||||||
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Ficha
Técnica ISBN 978-85-7496-186-6 Livro em português BROCHURA 1 Edição 2007 238 pág. 14 x 21 cm R$ 34,00
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| Autor Jane Soares de Almeida |
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| Apresentação Há um texto de Dermeval Saviani, já clássico, que nos ajuda a pensar sobre o sentido dos estudos históricos. Diz o autor: Se nós assumimos a atitude filosófica, cumpre-nos desenvolver um processo de reflexão sobre os problemas que a nossa época está colocando; e se se trata de filosofia da educação, isso implica assumir a atitude de reflexão sobre os problemas educacionais que a nossa situação concreta está nos colocando. (...) No que diz respeito à História da Educação, verifica-se fenômeno semelhante. (...) Ora, a compreensão da trama da História só será garantida se forem levados em conta os “dados de bastidores”, vale dizer, se se examina a base material da sociedade cuja história está sendo reconstituída. Tal procedimento supõe um processo de investigação que não se limita àquilo que é convencionalmente chamado de História da Educação, mas implica investigações de ordem econômica, política e social do país em cujo seio se desenvolve o fenômeno educativo que se quer compreender, uma vez que é esse processo de investigação que fará emergir a problemática educacional concreta. Entendo, pois, que um dos sentidos de estudar o passado está no desafio de termos que compreender e refletir sobre os problemas que nos ameaçam no momento presente. Compreender e refletir para agir, criar novas respostas e, assim, no cotidiano da história, irmos construindo– em diálogo com os outros sujeitos humanos e no contexto da intrincada trama de nossos desejos, sonhos, projetos e utopias – um futuro diferente daquele presente problemático e ameaçador. Hoje, apesar de todos os avanços realizados no sentido de superar a dominação dos homens sobre as mulheres e todas as conseqüências implicadas em tal dominação, ainda permanecem, para além das diferenças, muitas desigualdades historicamente construídas que se constituem em verdadeira ameaça não apenas para a qualidade de vida no planeta, mas à própria vida no planeta. De fato, diz a autora deste trabalho (p. 211): No entanto, ainda resta muito por fazer, dado que as mulheres continuam a receber menores salários no mundo do trabalho, e a violência, principalmente no âmbito familiar, continua sendo uma realidade nem sempre denunciada e possui estatísticas alarmantes. Em alguns países do mundo não ocidental, a situação de subordinação e inferioridade feminina assume contornos de uma verdadeira escravidão e um atentado aos direitos humanos. Ainda hoje, “os direitos e as escolhas das mulheres em matéria de reprodução podem ser severamente restringidos a serviço de políticas nacionalistas (natalistas ou de outros tipos), ou em nome de dogmas religiosos” (Cuéllar, 1997, p. 187). Se agregarmos a isto o fato de ainda, tanto nas famílias como nas escolas, a educação de meninos e meninas ser muitas vezes conduzida por referências estereotipadas do que é ser homem e mulher; se lembrarmos que, apesar da presença cada vez maior das mulheres nos vários campos de decisões e de poder das sociedades contemporâneas, ainda é muito maior o número de homens que dirigem nossas sociedades com base nos valores masculinos tradicionais; e se observarmos que o diálogo entre homens e mulheres, simultaneamente iguais e diferentes, é praticamente desconsiderado quando se trata de tomar decisões pertinentes à transformação ou manutenção das estruturas sociais com suas ideologias, então podemos perceber a proporção do problema das relações de gênero e suas implicações para o processo humano de desenvolvimento. E é possível pensar que nosso mundo poderia ser outro – na perspectiva dos sujeitos individuais, mas também do ponto de vista do coletivo humano – se as relações de Sob o meu olhar, é este o problema que desafia Jane Soares de Almeida e que a fez escolher a feminização do magistério como seu campo privilegiado de pesquisa. E do mergulho na história das mulheres nas escolas de São Paulo – a escola católica, protestante e laica –, entre 1870 e 1930, nasceu “Ler as Letras: Por que educar meninas e mulheres?”, cujas primeiras preocupações e reflexões tiveram origem em sua pesquisa de pósdoutorado na Universidade de Harvard. Utilizando fontes de natureza bibliográfica e documental; trabalhando na interface dos estudos sobre educação, religião e gênero; construindo um texto, ao mesmo tempo, rigoroso, claro e elegante, a autora vai mostrando como a imagética, culturalmente construída, do homem como provedor e da mulher como rainha do lar foi utilizada, por meio da religião e da educação, para manter e reproduzir não apenas a dominação masculina, mas a própria estrutura da sociedade de classes em seus diferentes momentos históricos. Mostra como o conservadorismo católico lutou para evitar, o quanto pôde, a co-educação dos sexos, mas mostra também como a abertura do protestantismo presbiteriano à mesma coeducação se fez de forma ambígua, pois se de um lado, ainda que possuindo também motivações econômicas, favoreceu a possibilidade de meninos e meninas estarem aprendendo juntos, por outro não Embora os estudos históricos de Jane cheguem até a década de 1930, e ela anuncie a necessidade de aprofundar os estudos dos anos subseqüentes, suas reflexões finais tecem interessantes considerações sobre o feminismo a partir daquela data até as atuais transformações e os novos desafios que estão colocados no âmbito das relações de gênero. Tive a oportunidade de estar à mesa com ela quando de sua primeira conferência aos nossos alunos e alunas em junho do mesmo ano: “Educação e Gênero no Brasil: a feminização do magistério”. Lembrome bem do entusiasmo e da admiração que senti ao ouvir suas idéias. Entusiasmo porque, já naquele momento, compartilhava com ela a idéia de que novos modos de ser mulher e homem precisam ser construídos. Admiração porque sentia em sua análise não somente a crítica que descontrói mitos, mas também a capacidade compreensiva necessária para lidar com os processos históricos ou, para usar uma expressão cara a Paulo Freire, a “paciência histórica”. Paciência que, se precisa ser impaciente, precisa também aprender a respeitar os tempos que as complexidades da condição humana exigem para que as mudanças aconteçam. A leitura deste trabalho, com certeza, estimulará muitos questionamentos, reflexões e revisões sobre nossas relações. Esta provocação, nascida de uma paixão que usa a pesquisa histórica com rigorosidade e inteligência, é uma grande contribuição a este tempo carente de novas respostas e carente também de uma outra cultura, com maior capacidade de justiça, beleza e solidariedade. Que os trabalhos de Jane possam continuar. Que ela os escreva como relatórios de pesquisa, ensaios, poemas, contos ou romances. O importante é que possam ser lidos e compartilhados por muitos. Muitos são aqueles que querem compreender o passado para construir libertação, pois como ela diz (p. 215): (...) conhecer o passado é uma forma de libertação. Isso justifica a pesquisa histórica. Destruir seus mitos é uma forma de crescimento. Estabelecer um diálogo com as fontes é tentar também compreender. Combater uma estrutura social que atribui destinos e determina funções em nome da manutenção de valores lesivos a outrem faz parte da idéia de liberdade que esse mesmo passado nos legou. Que as sementes deste trabalho possam frutificar, se espalhar e ajudar a gerar um Tempo Novo. Elydio dos Santos Neto Sumário CAPÍTULO I
CAPÍTULO II
CAPÍTULO III
CAPÍTULO IV
CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FRAGMENTOS DA IMAGEM FEMININA
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