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Géneros Jornalistico no
Brasil
 

 
 
   Ficha Técnica
 
 Livro em português
 BROCHURA  
 331 pág. 16 x 23cm


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SUMÁRIO    
 

Organizadores
José Marques de Melo
Francisco de Assis

Prefácio

CICILIA M. KROHLING PERUZZO*

Gêneros jornalísticos no Brasil, livro organizado por José Marques de Melo e Francisco de Assis, é composto por vários artigos que se complementam de modo a configurar e justificar, de forma coerente, o título escolhido. São textos produzidos a partir da revisão bibliográfica sobre o assunto, além de estudos empíricos realizados sob a supervisão do professor Marques de Melo no âmbito de atividades acadêmicas, no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo durante vários anos.

Iniciada por textos de autoria do principal organizador, José Marques de Melo, a coletânea contribui para situar o leitor quanto aos gêneros e formatos jornalísticos na perspectiva histórica. Como alguém que se dedica ao tema há muitos anos, é com propriedade que ele indica os caminhos para a passagem daqueles que querem aprofundar e continuar o percurso teórico, ajudando a compreender as categorias jornalísticas que estruturam a exposição de conteúdos dos meios de comunicação.

Por outro lado, ele também mostra as próprias revisões que vem fazendo nos esquemas classificatórios propostos ao longo do tempo. Do nosso ponto de vista, estes se alteram no tempo e no espaço porque se baseiam em estudos empíricos sobre realidades sempre em transformação. Ou seja, têm como base de análise estruturas jornalísticas, que se aperfeiçoam e se refazem em razão das configurações do mercado e de outras mutações para fazer frente às supostas ou reais demandas dos receptores.

Criatividade, agilidade e inovação são requeridas, não se respeitando limites, disposições lógicas e ordenadoras da informação. Em razão disso, as noções de gêneros e formatos criados e detectados em determinados momentos nem sempre são aplicados no dia a dia da imprensa. Em grande medida, estes se refazem ou se mesclam.

Essa situação ajuda a explicar a necessidade de os conceitos passarem por revisões e, ainda, por conterem, às vezes, imprecisões ou fronteiras não nítidas entre um gênero e outro, como, por exemplo, entre o jornalismo opinativo e o interpretativo. As categorias são claras, mas os sentidos e as práticas podem se confundir.

Enfim, construir categorias de análise que ajudem a entender o jornalismo impresso, radiofônico, televisivo e on-line é um desafio que os autores sabem tratar-se de algo a serviço de uma modalidade de pesquisa que não tem a pretensão de engessar a realidade comunicacional. A dinamicidade que lhe é característica não se presta a tanto.

Interpretar os mecanismos estruturantes de segmentos de mensagens é útil tanto aos receptores quanto aos produtores e idealizadores dos meios de comunicação. Diante dos avanços demonstrados pelos diversos autores, a obra revela importância que justifica sua publicação.

Apresentação

As pesquisas sobre gêneros jornalísticos, especificamente no cenário brasileiro, têm avançado consideravelmente nos últimos anos, mas com iniciativas dispersas, muitas vezes difíceis de serem reunidas. Estudos realizados no âmbito dos programas de pós-graduação da área resultam, constantemente, em papers apresentados em congressos, em alguns artigos publicados em periódicos e, é claro, em dissertações e teses. Porém, mesmo quando são produzidos dentro de uma mesma instituição – como é o caso da Universidade Metodista de São Paulo –, o acesso ao conjunto desses materiais nem sempre é tão fácil, uma vez que eles acabam sendo direcionados para publicações distintas ou ficam arquivados em diferentes acervos.
O desafio de reunir essas produções e, até mesmo, a pouca difusão das reflexões acabam provocando uma má interpretação das propostas taxionômicas já conhecidas. Um exemplo: a obra mais difundida sobre o assunto, principalmente nos cursos de graduação em Jornalismo do país, é a tese de livre-docência do prof. José Marques de Melo, principalmente a sua edição de 2003, que tem como título Jornalismo Opinativo; porém, as considerações ali esboçadas refletem um panorama conjuntural da década de 1980, e a própria percepção do autor já tomou outras dimensões, por conta da atual realidade da imprensa brasileira (que tem novos contornos, se comparada à época mencionada). Mas o problema não é o uso dessa obra que, de fato, apresenta contribuições nem um pouco desatualizadas; a questão é que, sem que conheçam as novas propostas elaboradas na última década, professores e alunos chegam a questionar por que motivos o autor desconsidera – ou por que razões é “contra” – os gêneros interpretativo, diversional e utilitário.
Por essas razões é que este é um livro que faltava. É necessário que as recentes discussões sobre os gêneros jornalísticos – pelo menos parte delas, uma vez que existem diferentes vieses da compreensão desse objeto – sejam compartilhadas com a comunidade acadêmica, a fim de que estimulem novos olhares. Dessa maneira, muitos equívocos – principalmente no que diz respeito ao ensino do Jornalismo – podem ser revistos.
De fato, a ideia desta publicação atende a uma demanda que, há alguns anos, o prof. Marques de Melo tem tentado atender. Já era de seu interesse, desde 2006, organizar uma coletânea com textos que pudessem balizar o conhecimento recente a respeito dos gêneros jornalísticos produzido no país, principalmente os frutos das pesquisas desenvolvidas na Universidade Metodista de São Paulo, atual foco irradiador dos estudos da área, como será visto no decorrer deste livro. Vontade não lhe faltou. Tempo, certamente.
Mas a espera desses anos não foi de todo mal. O tempo propício para a publicação de Gêneros jornalísticos no Brasil coincide com um momento de mobilização nacional em torno do assunto: em janeiro de 2009, a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) criou um novo Grupo de Pesquisa (GP) , subordinado à Divisão Temática (DT-1) Jornalismo, a respeito dos gêneros jornalísticos. E logo de início, o GP já contava com a adesão de pesquisadores atuantes em nove estados nacionais , entre doutores, doutorandos, mestres, mestrandos e alunos de cursos de graduação. Não restam dúvidas, portanto, de que o interesse por esse eixo está em alta.


SUMÁRIO